Se não gostasse de crianças não tinha duas. Os meus filhos são um verdadeiro teste à resistência de qualquer adulto. As birras, o mau comportamento e a insolência são muitas vezes desesperantes.
É curioso, que eles são muito diferentes: ela é irrequieta (irrequieta é pouco, que tal "eléctrica"?), curiosa, mexerica (mexe em tudo o que deve, o que não deve e o que sabe que não pode), impaciente e (de há uns tempos para cá) insolente. Ele é mais calmo, mais pacato, também mais teimoso, bruto e birrento. Ambos são meigos e amiguinhos, mas nenhum deles está próximo da perfeição da boa educação.
O que conheço de educação não é suficiente para os educar? Bom, não há receitas para isto, que nos digam “se acontecer isto, fazes aquilo” e fica resolvido. Era bom! Ou se calhar nem era tanto... Educar é uma tarefa complexa, cheia de mistérios e que dá muita luta. Por mim, uso o meu bom senso (é claro que o que sei de educação está no meu subconsciente, a dar uma ajudinha);).
Às vezes creio que consigo fazê-lo, outras vezes que não. Encaro estas coisas de duas maneiras diferentes (depende do meu estado de espírito):
1 – Os meus filhos são uns valentes mal-educados e eu sou um falhanço como mãe.
Quando penso assim sinto-me frustrada, mas por vezes quando acho que não tenho controle sobre as situações é o que chego a pensar. São malcriados, insolentes, teimosos, fazem birras... há pior? Não há paciência para birras de meninos malcriados e a minha por vezes esgota-se e lá vai um grito para o ar ou uma palmada onde calhar.
2 – Os meus filhos são crianças, estão a crescer e o que é importante não é o que fazem no dia-a-dia, mas as mensagens que lhes vou fazendo passar.
Quando estou mais lúcida (acho) é o que penso. Quando este faz uma birra ou o outro faz qualquer coisa que não devia, será que isso de facto tem importância? Ou será que o que tem de facto importância é o que pode ser aproveitado a partir do que eles fizeram? As conversas, os conselhos, a confiança que pode ser conquistada e mantida. Será que tudo isso não vai ser mais importante, num futuro menos próximo? Creio que sim. Por isso tento cada vez mais desvalorizar as birras e as asneiras (com as insolências e as teimosias já é diferente). Tento sim, ser cada vez mais paciente e contornar as questões de modo a que as mensagens que vou passando sejam superiores, sejam mensagens para toda a vida. Responsabilidade, justiça, igualdade, respeito pelo próximo, solidariedade, entreajuda, compreensão, confiança, amizade e outras mais que vou passando e que agora não me ocorrem.
Creio que é mais importante preocupar-me que adquiram estes valores do que se roem o lápis ou a caneta, se entornaram o copo, se sujaram a roupa, o sofá ou a parede ou se romperam os sapatos.
Apesar de todas as birras e insolências, quando a minha filha chega a casa a dizer que se insurgiu contra toda a sua turma para defender a turma do lado numa questão de justiça, orgulho-me dela, penso que é educada e que tudo o resto irá lá, ad tempus (podia era ser um bocadinho mais autocrítica...)
As crianças nem sempre são uns amores
Pois não, não são. Às vezes também me apetece deitá-las pela janela! Mas nós, pais, temos a obrigação de sermos pacientes. Com os anos fui aprendendo a controlar a minha paciência. Acreditem: treina-se. A paciência também se ensina e se nós formos pouco pacientes com eles, eles vão ser adultos pouco pacientes e o mundo será um verdadeiro caos de pessoas intratáveis.